Outro dia, vi um conhecido falando sobre o tema e colocando consultores, assessores e gerentes na mesma linha quando o assunto é conflito de interesses.
Tive que discordar, pois, como ele me disse: “Conheço consultores que conflitam da mesma forma que gerentes, e assessores que não possuem conflito de interesses, que trabalham de forma íntegra, independentemente de quem representam.”

Não discordo da integridade de muitos gerentes e assessores. Acredito, inclusive, que é possível trabalhar de forma transparente, desde que se esclareça ao cliente o que está “embutido” em cada produto oferecido. Se faz sentido para o cliente, e ele está ciente, a transparência e a integridade foram respeitadas.
O que discordo é que não se pode igualar as profissões e generalizar a essência do conflito. Enquanto instituições pressionam profissionais com metas — como gerentes e assessores — a vender produtos muitas vezes ruins, que não servem para o cliente, é preciso esclarecer que o consultor é independente. Ele não trabalha para instituições e recebe diretamente do cliente. A essência de cada profissão é incomparável.
A origem do conflito está no berço da profissão. É possível, sim, trabalhar em instituições financeiras e equilibrar os interesses da empresa e do cliente, agindo com ética e transparência. Mas não se pode dizer que um consultor atua da mesma forma. Por lei, um consultor de investimentos não pode receber comissão por ter sugerido um ativo a seu cliente. A profissão já nasce com uma drástica eliminação dos conflitos.
Mas afinal, o que é esse conflito de interesses?
Imagine que você pode oferecer dois produtos a seu cliente: um que te gera uma comissão X e outro que te gera uma comissão 2X — este último mais rentável para o banco ou para a corretora, mas bem menos interessante para o cliente. Se você optar por oferecer o produto que gera maior comissão, priorizando seu próprio benefício em detrimento do interesse do cliente, aí está caracterizado o conflito.
Não quero, aqui, criminalizar uma profissão específica — até porque acredito que, em toda e qualquer profissão, pode haver conflito de interesses. Mas não podemos generalizar todas as profissões, pois elas são diferentes.
Acredito que o profissional, independentemente da sua área, que preza por seus valores, sempre defenderá os interesses de seu cliente. E isso, ao longo do tempo, constrói uma relação de confiança e garante seu crescimento — tanto profissional quanto pessoal.

Anderson Machado, CEA. Especialista em Investimentos. Graduado em Administração de Empresas (UFSM), MBA em planejamento financeiro, autor do Livro o Grande Ganho, Empresário.





