O setor de tecnologia dos Estados Unidos vive sob um fantasma: o medo que o bom momento seja uma bolha como a Dot-com de 2000.
A cada temporada de balanços, o mercado se divide entre a euforia e o ceticismo. No entanto, o que a temporada de lucros recente nos mostrou é que há uma força fundamental impulsionando esses resultados, que não é especulação, mas sim produtividade.
A Inteligência Artificial (IA) não é mais uma promessa distante, ela se tornou o motor de eficiência, corte de custos e inovação, elevando as margens das grandes e médias empresas a patamares inéditos.
Neste artigo, vamos mergulhar nos balanços para entender por que, desta vez, o crescimento é sustentado por ganhos reais de produtividade e como essa nova regra do jogo afeta a sua gestão de patrimônio.
A IA na execução
A Inteligência Artificial parou de ser um laboratório de pesquisa e se tornou uma ferramenta de corte de custos tão eficiente que é quase invisível para o consumidor final. O que os balanços dos EUA revelam é que as empresas líderes não estão apenas investindo em IA, estão implantando-a em sua operação.
Isso se traduz em ganhos de produtividade que impactam diretamente a margem de lucro. A IA otimiza a cadeia de suprimentos, automatiza o atendimento ao cliente (reduzindo equipes de suporte) e acelera o desenvolvimento de produtos.
É a capacidade de fazer mais tarefas, com mais qualidade e menos intervenção humana, que está gerando lucros consistentemente crescentes e justificando o apetite do mercado. A tecnologia passou de um custo necessário para uma vantagem competitiva que está ampliando a distância entre as empresas que a adotam rapidamente e as que ficam para trás.
O efeito da IA no lucro de setores diversos
A prova de que a IA não é hype está no bolso das empresas que a usam, e não apenas nas que a vendem. Os ganhos de produtividade se espalham, transformando o Lucro por Ação (LPA) em setores que, à primeira vista, parecem alheios à tecnologia:
- Setor financeiro: o Goldman Sachs, um dos grandes bancos nos EUA, usa IA para auxiliar a decidir rapidamente quem terá crédito aprovado no banco (otimizando o underwriting) e identifica fraudes com precisão inédita. O resultado disso é uma redução de perdas e maior segurança, já que o capital do banco é alocado em negócios mais seguros (devedores de mais qualidade) e rentáveis (diminui a inadimplência);

Resultados trimestrais crescentes do banco
Fonte: Investing
- Setor farmacêutico: a Pfizer usa modelos de IA que aceleram a pesquisa de novas moléculas, simulando milhares de testes de laboratório. Isso reduz o tempo e o custo de levar um novo medicamento ao mercado, acelerando o faturamento;

Resultados trimestrais da farmacêutica mostram crescimento forte do lucro por ação (LPA)
Fonte: Investing
- Setor de logística: o braço de logística da Amazon otimiza rotas de entrega e organiza a movimentação de robôs dentro dos depósitos e centros de distribuição. A consequência disso são custos operacionais mais baixos, já que há uma redução no consumo de combustível, menos tempo ocioso e maior velocidade na entrega final.

Resultados trimestrais da amazon mostram crescimento consistente do lucro por ação (LPA)
Fonte: Investing
Conclusão
Ao analisar o Lucro por Ação (LPA) em setores como o financeiro (Goldman Sachs), o farmacêutico (Pfizer) e a logística (Amazon), fica claro que a Inteligência Artificial é a nova vantagem competitiva do mercado, ela está expandindo as margens de lucro e redefinindo o potencial de faturamento das empresas de forma sustentável.
A discussão sobre uma bolha não pode distorcer essa realidade, embora o valuation seja um fator de risco a ser gerenciado, a ausência de exposição à IA é um risco ainda maior para a rentabilidade de longo prazo.
Fugir da tecnologia por medo da bolha é abrir mão da participação na maior onda de produtividade que o mercado já viu. A exposição, feita de forma estratégica e analisando os fundamentos, é a chave para o crescimento do portfólio na próxima década.

Rafael Fernandes,
Consultor de investimentos, CFP, da Musa Capital





